domingo, maio 22, 2011

Crise dos 13

Crise dos Treze

- Nossa, mãe, essa é coisa mais difícil e desgastante que já fiz até hoje na minha vida.
- Calma, filho. Você ainda não tem muita prática, nem experiência...
- Ah tá. Aham, mãe, senta lá.
- Que foi? Vai desistir?
- Não sei! Mas faz tempo que tô procurando por esperança e oportunidade...
A mãe interrompe:
- Continua procurando, então, você tava indo bem até agora. Eu vi que você encontrou emprego, dificuldade, preconceito... e remuneração, olha só! - Enfatizando remuneração.
- Ah, mas chega uma hora em que tudo fica invertido. Dá preguiça só de pensar.
Ela fica reticente, esperando por qualquer explicação, mesmo esfarrapada, ou qualquer desabafo enérgico e típico da juventude adolescente.
Ele vem (o desabafo). E quase com a mesma intensidade de se espremer a única espinha do dia, que nasce bem no meio do nariz:
- Quero parar com isso! Eu não tenho culpa! Esses caras aí, ó... não faz o menor sentido fazer um negócio desses...
- O que que teu pai acha disso, hein? Que você acha que ele iria dizer?
- Ah, ele tá cagando e andando (!) pra esse tipo de coisa. Compra um jornal puta (!!) gigante só pra ler as três folhinhas de esporte. Aquele corno, lá (!!!).
- Olha essa boca, seu filho da puta (?!)! Olha o jeito que você fala do seu pai. Respeito, moleque. Se você cansou de se meter nas minhas coisas, não aguenta o nível de um verdadeiro desafio adulto, pede pra cagar e sai. Fica mais bonito.
Ele não responde. Fica com raiva e o sangue sobe quente às bochechas, com a mistura do reconhecimento à tirada superior - feita por uma mulher e alguém a ser batido.
- Vou dar um coro nele no videogmae ! - Diz o menino, já com as sobrancelhas bem erguidas em "V" invertido, enquanto queixo e lábio inferior se projetam balançando o debochante e contínuo "não".
- Tá. Agora me devolve aqui esse caça palavras e vê se para de me encher o saco, sabidão.
- Ah, mas você não tem saco! Rá! Toma!
E sai correndo para desafiar o pai, não sem manifestar seus ares de "fodão" pelo sorriso maroto, refletor de seu pensamento:
- "Cê não tem saco". Vixê. Credo, essa eu vou contar na escola!

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