Encontrar-se é tudo de bom, disse, uma vez, um professor.
Hoje foi um ótimo encontro, aliás, professora. Desses em que o imprevisto e o programado se encontram como num roteiro profissional.
Hoje eu te vi olhando pra mim com o olhar mais bobo do mundo.
Mas de uma bobeira linda e tão admirável quanto os modos da nobreza.
E, diante de todas as confissões, surpresas e admirações que estavam presentes naquele carro, também lá estavam nossos sorrisos, que se entreolhavam e trocavam versos assim como compositores trocam letras de canções.
Isso tudo foi tão bonito e tão inspirador, que não pude deixar apenas em uma lembrança, por mais que agradável, ainda não tão concreta quanto as palavras dançantes por entre nossas bocas.
Não era uma dança das mais belas, nem tão graciosa quanto os passos da realeza no salão de festas imperial, mas, também continha o mesmo espírito de saber que pertencíamos, em alguma dimensão que não desse mundo, a um patamar elevado dos seres que pensam com o coração e sentem com o cérebro.
Não era racional.
Mas pensávamos dialeticamente e sem esforço.
Era, e ainda é, profundamente sentimental, sensível e poético, esse jeito de equacionarmos nossos sujeitos, nossas personagens nesse enredo mágico, porém real.
Nosso eu-lírico trovador exagerado.
Nossas metáforas bregas, aliadas às mais requintadas e garbosas estrofes vitorianas.