quarta-feira, agosto 28, 2013

Os Bons Ventos Também Sopram Para Lugares Errados

Tava perdido na vida.
("O meu amor me chamou/pra ver a banda passar...")

Fui dar rumo à coitada,
Os Elíseos me levaram à uma ágora antiga, abandonada.
Os Alíseos, estes, sim, com seus El Niños, com suas Katrinas,
Levaram-me ao Olimpo.
Mas, os Olímpicos pouco puderam me oracular.
Soprando, soprando, fui parar num lugar errado.
E, por ser errante, perguntaram-me se estava tudo bem.
Ao vacilo do inquisidor fugi-me.
Caí na rua.
Pulei um muro pelo avesso.
Tropecei um pouco, confesso.
Confessei também às juras de quem tinha visto, que ninguém me vira tropeçar.
E, soprando fui...
sem Dó, até RéLá, Em Si.
Construí melodia lírica com notas pagãs.
Agora, repouso minhas brisas (sou Ventania).
E que a ágora, amanhã, esteja repleta de Deuses Olímpicos, Musas Inspiradoras, Bestas Quiméricas, mitos, lendas, heróis e mercantes coadjuvantes comuns.

terça-feira, agosto 27, 2013

O Dia em que Adotei uma Pitbull por 49 minutos

                                                                                 Esse post é dedicado a todos que têm fé (e costumam se dar mal por isso) na frase "quem espera sempre alcança.

(Era uma vez, um Hermezinho que gostava muito de cachorrões...)


Eu voltava do trabalho, ou da empresa onde exercia atividade remunerada, pois estava de licença médica.
Um mendigo, na rua de casa, ele me cumprimentou baixando a cabeça:
- Bão?
- Bão.
e indagou:
- Cê mora aqui perto?
- Moro aqui perto sim, por que?
- Porque eu ia te pedir pra me arrumar alguma coisa pra comer.
Então ficou combinado que ele esperaria, sentado junto a um poste que tem em frente a um terreno baldio, enquanto eu prepararia seu jantar.
O nome dele era Abel, logo, tive de zuar com o destino fatal de seu xará bíblico.
Talvez não fora boa ideia.
Sei lá.
Foda-se.
Imagine que eu cheguei em casa e já me pus a cozinhar, freneticamente, como quem prevê o evangelho de (São) Matheus (24, 42-44)
Então, eu descongelei um salmão e preparei, em menos de dez minutos, um rango muito da hora pro Abel.
Entreguei na bandejinha de isopor, com guardanapos e atendi ao pedido de água que se procedeu, logicamente, como tinha de ter sido.
Assim como Caim, matei o Abel. (tu-dum-tchi)
Mas ela - uma possível Eva - estava ali.
Jogada na rua.
Uma Pitbull linda, com traços de vira-lata, cor de caramelo, suja de pó.
Em Ribeirão Preto o ar é filhadaputamente seco e empoeirado no inverno...
Era tanta poeira que minha mão enegrou-se ao carinhá-la.
Não foi fácil fazer isso.
Apesar de corpulenta e Pitbull, "minh"a cadela é mais medrosa que o Scooby Doo.
Até pra dar comida ela teve medo de mim.
Mas, enfim, foi vencida pelo instinto mais primitivo.
Então, a estas alturas, eu já fantasiava a casinha de madeira que construiria no terreno baldio e ladrões que se mijassem de medo ao pensar em assaltar minha casa...
De volta ao mundo real, um vizinho e sua esposa passavam pelo outro lado da calçada:
- E aí, beleza?!
- De quem que é essa cachorra?
- Dizem que é da Ramazini. "Dizem" - (com aquela ênfase de desconfiar da fonte fornecedora do fato).
Para mim, foi suficiente.
O drama estaria resolvido para a adoção de um sonho: uma ida à garagem de ônibus  de Turismo (Ramazini); uma conversa desencarregadora de consciência; uma pitbull fêmea, linda dócil, fofíssima e imponente.
Simples equação.
A esta altura, já tinha aberto e fechado mil vezes portão e porta de casa entre atender o Abel e a cachorra.
Mas, a derradeira foi a em que saí com uma tesourona de costura e uma camiseta antiga. Usei o pano das mangas para fazer algo como uma coleira.
Não foi tão difícil.
Nem fácil.
Cachorro não costuma gostar de roupa e acessórios. Principalmente pitbulls.
Tinha um labrador, possível ferte dela: o Fritz, com sua cor de creme, na casa em frente onde eu finalizei o laço (ridículo) em torno do pescoço da Pequena. Eu ia batizá-la de Pequena.
Adoro ironias.
Daí, o destino, senhor das ironias me fez correr, não andar, sim, correr, até às garagens da Ramazini Turismo.
A Pequena me acompanhou na corrida, exuberando sua musculatura pitbulesca.
Local adentrado, um tal de Antônio confirmou que a Pitbull saía mesmo - e muito - pelas ruas.
Deu pra ver, pela felicidade de todos outros cães (de médio porte, também meio marrons e vira latas, talvez um salsicha...), que lhe cheiravam o traseiro quando voltava de uma possível longa jornada aos quarteirões arredores.
- É que o portão fica aberto e ela sempre sai, mesmo. - Disse o Antônio.
Piada da noite: - Por que é que o cachorro atravessa a rua?
- Para chegar ao outro lado.
E dá-lhe abadá de inverno!

segunda-feira, agosto 19, 2013

Quem tem amigos, tem tudo

Gustavo Padovani
09:49 (6 horas atrás)
para mim
Grande mestre, 

Sei que você está passando por momentos difíceis por ai. Peço desculpas não ter te visto ontem, mas cheguei em ribs 1 e 30 da manhã e saí as 6 da matina. O voo da Ana era na madruga e não consegui fazer outra coisa a não ser dormir. 

Só queria dizer para você ter um pouco de fé, meditar e rezar, como queira. Algumas vezes, apenas precisamos de paz de espírito e foco para clarear a mente e tomar decisões para nosso bem. 

Lembre-se sempre, como bom conhecedor que é, a vida é puro teatro. Tem o diretor, que pode ser brilhante ou um mala, a opinar sobre nosso trabalho. Tem palco que é merda ou fantástico, dependendo de onde estamos. Tem ensaio que é foda, mas não sai do papel. Muitas vezes temos um roteiro de merda nas nossas mãos, mas nós somos protagonistas e podemos fazer o que bem quisermos na hora da peça. E para brilhar, pode ser com monólogo ou com ajuda de coadjuvantes, mas a decisão é inteiramente nossa. Somos atores com capacidades de nos reinventar a cada dia. 

Você é destes que veio para protagonizar. Não deixe que os holofotes apaguem e saiba que tem muita gente do seu lado para te ajudar. 

Saudades enorme e um forte abraço do seu eterno amigo. 

Te amo, cara.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Dia dos Pais Feliz

Pai,

Já faz tempo que você foi desta para uma melhor, como se diz pior aí.
E, desde então, tenho me perdido por vários caminhos, porque sempre te procurei.
Disseram que você morreu.
Não acreditei.
Para mim, você foi e sempre será o exemplo, sempre estará brilhando essa luz que me orienta.
Hoje, quando fui levar flores para você, o lugar estava tranquilo, cheio de famílias, flores e jardins tão belos quanto era sua voz.
Hoje foi um dia tranquilo, calmo e lindo, assim como era a vida quando você me ensinava suas coisas e seus mecanismos.
Você foi meu melhor professor, então, hoje eu tenho orgulho de sê-lo também.
Você me ensinou a ser repórter e a vender ideias, mas ainda não me encontrei para dedicar meus textos, estes, dos quais você já se gabou, um dia, ao ter levado em seu trabalho para mostrar aos seus colegas.
Você sempre me inspirou, pai.
Sempre me instigou a ler. De tudo.
Então, no banheiro - lugar que você sabe que gosto, viajo - daquele salão de velório onde nos despedimos pela última vez em terra, eu me assustei ao ver o cara lindo em que tinha me transformado. "O cara mais legal do mundo", conforme prometia "O Menino Maluquinho", que, tudo bem, era da Ju, mas eu o devorei, assim como todos os livros que você me deu.
Daí eu dei oi para aquele menino de 13 anos, que se assustara com o quanto estava feio, cara inchada, olhos vermelhos de tantas lágrimas seguidas.
O homem do presente viajou no tempo para cumprimentar o menino do passado. E sorriram um ao outro.
Aquele disse a este que a vida seria magnífica. Que seria cheia de aventuras, descobertas e namoradas legais, amigos bons.
Foi então que o homem do presente sorriu ainda mais, em reflexo da sorriso puro do menino, e se enfeitou do seu próprio. Agora, já com os cabelos devidamente molhados - coisa que se fará corriqueira, pois as tuas ondas oleosas deram lugar aos cachos simpáticos da mãe, por quem você se apaixonou!
Depois disso, um cafezinho malandro, uma conversa de repórter infiltrado, umas risadas pra si mesmo e pé na estrada outra vez.
Pode deixar que eu ainda estou indo ao inglês, sim. Inclusive, agora não mais como "aluno", mas isso não significa que eu não aprenda muitas coisas novas a cada dia. Aliás, pode parar de invadir os sonhos alheios para perguntar dessas coisas sobre mim.
Ó, última coisa: tem um nora em vista. Sinceramente não sei qual de nós dois ficaria mais orgulhoso dela. Bem, voto em mim.
É isso, paizão!
Feliz domingo, ainda que tarde!
Sempre vou te buscar nessas luzes do mundo, porque você é uma das minhas quatro estrelas mais queridas e importantes.
Depois dessa vida, a gente se encontra por aí, tenho certeza.
Porque esse mundão é muito pequeno, graças a Deus!
Eu amo você com todas as forças do meu "coraçãozinho"!
Beijão,
Saudades,

Mes