quinta-feira, maio 18, 2006

Vaidade

Que hora ruim. Que tempo chato.
Todos dizem que essa é a melhor época da vida, todos que já passaram por ela, é claro.
Todos aqueles que já se livraram dessa fase mista. Dessa transição louca.
Não é nem adulto, nem criança. E pior, nem um intermediário sequer.
É muito ruim ter que depender da imagem, principalemnte quando não se quer comunicar através dela (e quando nã se tem uma imagem, não é?).
Quem é que olha para as pessoas mais feias?
Os que vão zombá-las, certo?
Começa a partir daí: sem o olhar, você não consegue ouvidos, a não ser que você consiga alguém doce e sensível o suficiente para lhe conceder essa proeza.
Aliás, pode chamar de amigo esse anjo que garante seu espaço.
Anjo memso.
Ele não leva em consideração nem sexo, nem aparência, nenhuma das coisas que estão na moda.
Por mais que o orkut venha a oprimir com seus rostinhos, cubinhos e coraçõezinhos, os amigos aliviam o peso da segregação estética através das respostas que dão aos nossos recados mais bestas.
Eu não queria ter que ficar bonito.
Eu não queria mesmo. Não desconsidero esse atrativo tão fundamental nos primeiros encontros, mas o problema é como pesa um rosto ou, principalmente um corpo bonito quando se quer trocar uma idéia.
É quase um martírio. A pessoa não é bonita, mas acaba fazendo de tudo para alisar o cabelo, arrumar os dentes, usar roupas boas, ficar mais forte, perder peso e a barriga, infinitas outras coisas.
Tudo pra quê?
Para tirar o outro, ou a outra da porta de casa e levá-la até o quarto, os fundos, depende do interesse.
A fachada da casa refelte mesmo seu interior?
Depende, é claro.
Pessoas bonitas não são menos simpáticas que as feias ou que as bem-arrumadinhas (as "bonitinhas"). Eu só me incomodo com a credibilidade que elas, bonitas, têm em mostrar tudo. Às vezes esse tudo é tão pouco.
Enquanto o tudo das pessoas não bonitas fica reservado aos amigos, e esse tudo é generoso, eu quero que os outros se fodam, uns com os outros.
Eu quero ser logo gente grande e me livrar dessa pressão de aproveitar aquilo que não tenho. Principalmente, de tentar buscar (em vão) todo esse pouco que muito parece, porque, afinal, queremos só aos amigos.
Vai embora,vai. Vai, idade!
Some daqui, leva embora a vaidade.

sábado, maio 06, 2006

À mulher da minha vida

Muito mais que um trocadilho, devo dizer sobre a mulher da minha vida.
A mulher da minha vida:
-ela não é aquela que abriu as pernas para eu entrar; é aquela outra, que gritou ao abrir as pernas para que eu saísse.
Podem ser a memsa? Não. Sem dúvidas. A primeira era aquela que me desejava, que esperava por mim, queria que eu fosse dela. A segunda me trocou. Ela me trocou por eu ser careca, não ter nenhum dente e viver chorando.
A primeira talvez não tivesse tanto coração para mim, tinha muito corpo, eu sei.
Tudo o que a segunda tinha parecia ser coração, memso quando meu horizonte era restrito ao seus peitos e era aquilo memso que eu desejava. Ela não se importava em dá-lo. E além de atender aos meus caprichos do corpo, ela o fazia com a satisfação de alguém que é plenamente correspondido no amor, memso sabendo que o que realmente nos unia, pelo menos de minha parte, era majoritatriamente físico, fisiológico, carnal.
Não levou muito tempo para eu descobrir: aquela era a mulher ideal para mim, era bem casada e isso foi muito importante.
A primeira, como era de se esperar, sumiu da minha vida. Não fez falta. A segunda, a outra, seguiu contínua e pacientemente a fazer de tudo para que minha vida fosse algo melhor, e, quando possível, eu pudesse refletir muito sobre isso e, assim, amá-la mais ainda. Assim aconteceu.
A verdade é triste. Eu soube, aogra sei: o final da minha vida, porque depois do começo tudo é final, só teria sentido se eu deixasse a mulher da minha vida guardada dentro de mim, no armário das saudades.
Não moramos mais juntos.