segunda-feira, dezembro 12, 2011

O Dia em que a Igreja estava fechada


Hoje eu ia rezar na capela da catedral, mas a igreja estava fechada.

Pensei que Jesus pudesse estar no shopping Santa Úrsula, ou no calçadão.
Tremendo absurdo.
Deus nunca fecharia as portas, mesmo e, principalmente, as da própria casa.
Apesar que a moradia do Senhor é o nosso coração, como bem lembra a sabedoria de alguém, cujo nome me esqueci.
Então, contornando a lateral do prédio, tentei o portão principal, onde  tinha gente sentada à sombra nas escadarias e, estendidos, grandes tapetes com estampas da figura de um elmo enflechado:
Pensei em dizer : -Boa tarde, São Sebastião! - Cumprimentando mais por bons modos do que boa fé. E fazia um calor, aqui neste vilarejo caipira, julgo, igual ao do primo rico - o município do Rio de Janeiro.
Já me irritando com o suor, depois de subir a escadaria, quase sentia vergonha em pensar na trajetória de ter de descer, novamente os mesmos degraus. O portão da matriz parecia lacrado, então, teria de descer mesmo, como um idiota desinformado, a mesma escadaria.
Mas lembrei que outras pessoas não reparam, tampouco acham ridículos os movimentos estranhos de um pedestre desconhecido. Isso me confortou um pouco.
Ainda reflexivo, constatei que os mendigos, segundos antes no canteiro, não me olhavam mesmo na cara. Entretidos em suas próprias conversas, eles tinham se levantado e, então, caminhavam para a praça das Bandeiras.
Passou pela minha cabeça a imagem de estar a comprar drogas.
Seria bem mais comum do que ir rezar.

***

Esbarrei um em velho conhecido na esquina da Prudente de Moraes com a Garibaldi. Uma das entradas do Santa Úrsula.
Ele e o filho de férias, enquanto a mãe, coitada, chegava atrasada no trabalho.
Lembrei do Papai Noel.
Deve estar atrasado para cacete com tanto décimo terceiro adiantado, limites de crédito concedidos sem consulta, tudo para viabilizar o bacanal de fim de ano do comércio.
Comércio esse, inclusive, como atestou meu amigo é o que move esta “cidade de gordo”.
A queixa foi dirigida mais aos donos de academia, mas serve também aos artistas e párocos.
Porque, se a cidade se chamasse, como proposto em 1856, São Sebastião do Ribeirão Preto, em época de Natal, o martírio do povo não seria bater cota de cartões da Riachuelo (direta ou indiretamente).
Abrem-se as mãos, vai-se embora o dinheiro. Quando as mãos se fecham umas nas outras, começa a oração.

Daí, quem sabe, eu animasse para participar da novena da minha irmã?

quinta-feira, setembro 22, 2011

Angústia de desempregado

Daí ontem, minha manhã se resumiu à leitura do jornal A Cidade, sem grandes relevâncias extra cotidianas, afinal, ainda tinha um cachorro, coitado, pulando de um prédio e a classe média inconformada com os maus tratos do bicho.
Teve a parte bonita, em conversas edificantes com a Vivian, minha amiga espiritual e orgulho da vó da Gisela. Mas, se ontem o começo do dia foi regado à entusiasmos, otimismos e vídeos da homilia do Padre Beto - aliás um grande visionário, perdido na caretice da Igreja Católica - o começa deste 22 de setembro foi uma bosta.
Acordei, mais uma vez, com a roupa da noite (e da tarde) de ontem no mesmo sofá onde eu tinha jantado e tentado assistir aquele joguinho medíocre e sem gols entre São Paulo e Corínthians.
Alíás, sobre mediocridade do Corinthians, hoje o Juca Kfouri mostrou que responsabilidade é desapegar dessa bichice de querer "dar o furo" da venda do Neymar, para isto, exemplificando com muita técnica e humildade, quando ele se fodeu na Placar, "tirando" o Dr Sócrates do Curíntia. E, o mais legal foi ver que um texto de blog do Neymar, na verdade página oficial feita pra ser curtida no Facebook, desceu a letra sobre o valor da felicidade. Com uma foto do camisa 11 da seleção ainda muito magrelinha, cabeçudo, feibagarai, mas,  mostrando todos os dentes: uma bola na mão em primeiro plano, no fundo, a serra do mar em Santos.
Voltando ao pijama de gala, que eu abarrotei no sofá, vale dizer que, enquanto ele ainda estava mais ou menos alinhado, teve um evento na UGT (ou Memorial da Classe Operária) aqui em Ribeirão, que me tocou profundamente: a semana Gramsciana.
Eis que, durante uma "roda viva" com convidados do Coletivo Fora do Eixo, um rapaz, no alto de seus vinte e tantos anos discursava para aproximadamente 40 pessoas, muitos já de idade avançada e direcionamento político comunista incondicional. Como era de se esperar, após muitas gírias, em inglês e mesmo termos de economia solidária ou da internet e suas interfaces de compartilhamento, menos de vinte espectadores ficaram para o encerramento da conversa.
Quando tudo terminou, até então, os sentimentos não eram tão diferentes de vergonha alheia e um pouco de raiva. Mas, aquele prédio histórico, fundado em 1926 com fotografias de anarco-sindicalistas da época, brancos, pretos e pardos, mulheres elegante de vestidos chiques, homens de terno, tudo aquilo me fez pensar na seriedade da luta operária e me deixou um pouco mais calmo e tolerante em relação ao pessoal que fora esculachado pelo José Arbex Jr na última Caros Amigos.
Beijo pra Lu, que me deu dois livros.

quarta-feira, setembro 21, 2011

Estava com uma puta vontade de escrever no blog.

Daí veio essa nova interface.

Fim do post.

domingo, julho 24, 2011

Esquizofrenia

Acho que estou doente.
Ontem, numa festa cheia de música, numa casa cheia de gente, fiquei dividido entre abusar dos limites da diversão e da moderação. Afinal, tinha morrido Amy Winehouse e isso era um indicador de que a vida é, sim, muito curta, mas que pode ser, também e apesar disso, igualmente ou mais intensa que sua duração.
Os pensamentos se perdem e se confundem entre as coisas que os grupos de pessoas defendem.
Muitos dizem, como na música do Cazuza, "meu herois morreram de overdose...". Outros tantos dirão que "pecados" não são expurgados mesmo pela morte, nem pela fé, nem pela arte.
São pessoas que dizem gostar de coisas que não fazem.
Pessoas dizem admirar as ideologias cujas origens lhes são desconhecidas: cantam com toda empolgação "they tried to make me go to rehab. But I said: no, no, no...", mesmo sem conhecer uma clínica de recuperação. Sequer sabem o efeito alucinógeno, ou a psicose, que tanto maltrata artistas famosos e trabalhadores braçais anônimos.
Pessoas reclamam de dores que não sentem.
Por que?
Riem das alucinações alheias, não compreendem o quanto estão indo na contramão de seus próprios princípios.
Será que eu, bebendo água da torneira do tanque, era menos engraçado ou mais ridículo do que o pessoal do vinho tinto chileno no copo descartável?
Bom, cada um na sua, mas, julgando em comum.
Depois, em meio a todo aquele rock, teve um momento, quando um "bêbado" apontou o dedo na cara do "maconheiro", que por sua vez, deu graças a Deus por não ser "bicha" como um pretinho que dançava. O "cristão" parecia concordar, mas, no fundo de seu coração, eu sabia que ele rezava para Jesus livrar seu colega das drogas (e o outro do "homossexualismo").
Um amigo meu, noutro dia, em pleno parque, reclamava do preço da carne, mas ele e a esposa se recusam a experimentar uma dieta vegetariana.
Seria maldade dizer que tinham engordado um tanto nos últimos 3 anos?
Porque eu também odeio o preço da passagem do ônibus. Passei a odiar muito mais quando tive de pegá-lo, depois de ter tido a moto roubada. Onde já se viu? Essa cidade precisa de uma política decente de transporte. Transporte público, principalmente.
Tenho perdido muito tempo em boemia, a pé e em festas, bares, etc.
Tô pensando em fazer uns bicos de madrugada, juntar uma grana, comprar um carro...

domingo, maio 22, 2011

Crise dos 13

Crise dos Treze

- Nossa, mãe, essa é coisa mais difícil e desgastante que já fiz até hoje na minha vida.
- Calma, filho. Você ainda não tem muita prática, nem experiência...
- Ah tá. Aham, mãe, senta lá.
- Que foi? Vai desistir?
- Não sei! Mas faz tempo que tô procurando por esperança e oportunidade...
A mãe interrompe:
- Continua procurando, então, você tava indo bem até agora. Eu vi que você encontrou emprego, dificuldade, preconceito... e remuneração, olha só! - Enfatizando remuneração.
- Ah, mas chega uma hora em que tudo fica invertido. Dá preguiça só de pensar.
Ela fica reticente, esperando por qualquer explicação, mesmo esfarrapada, ou qualquer desabafo enérgico e típico da juventude adolescente.
Ele vem (o desabafo). E quase com a mesma intensidade de se espremer a única espinha do dia, que nasce bem no meio do nariz:
- Quero parar com isso! Eu não tenho culpa! Esses caras aí, ó... não faz o menor sentido fazer um negócio desses...
- O que que teu pai acha disso, hein? Que você acha que ele iria dizer?
- Ah, ele tá cagando e andando (!) pra esse tipo de coisa. Compra um jornal puta (!!) gigante só pra ler as três folhinhas de esporte. Aquele corno, lá (!!!).
- Olha essa boca, seu filho da puta (?!)! Olha o jeito que você fala do seu pai. Respeito, moleque. Se você cansou de se meter nas minhas coisas, não aguenta o nível de um verdadeiro desafio adulto, pede pra cagar e sai. Fica mais bonito.
Ele não responde. Fica com raiva e o sangue sobe quente às bochechas, com a mistura do reconhecimento à tirada superior - feita por uma mulher e alguém a ser batido.
- Vou dar um coro nele no videogmae ! - Diz o menino, já com as sobrancelhas bem erguidas em "V" invertido, enquanto queixo e lábio inferior se projetam balançando o debochante e contínuo "não".
- Tá. Agora me devolve aqui esse caça palavras e vê se para de me encher o saco, sabidão.
- Ah, mas você não tem saco! Rá! Toma!
E sai correndo para desafiar o pai, não sem manifestar seus ares de "fodão" pelo sorriso maroto, refletor de seu pensamento:
- "Cê não tem saco". Vixê. Credo, essa eu vou contar na escola!

sexta-feira, janeiro 07, 2011

Morra logo, por favor

Vá embora deste mundo, porque aqui não há mais utilidade para você.
Devolva o espaço que você costumava ocupar. Mesmo que seja para ficar vazio.
Inclusive, o vazio é melhor que sua presença.
Hoje, você virou lixo.
Cemitérios são aterros sanitários de pessoas...
mais aterros que sanitários.
Mas, enfim, desapareça, por favor.
Não deixe legado, nem mesmo lembranças marcantes.
As tuas fotos, pode deixar, ficarão no mesmo lugar onde estão há anos sem que eu queira vê-las.
A vida está bem sem você.
Por favor, morra.
Logo.