Daí ontem, minha manhã se resumiu à leitura do jornal A Cidade, sem grandes relevâncias extra cotidianas, afinal, ainda tinha um cachorro, coitado, pulando de um prédio e a classe média inconformada com os maus tratos do bicho.
Teve a parte bonita, em conversas edificantes com a Vivian, minha amiga espiritual e orgulho da vó da Gisela. Mas, se ontem o começo do dia foi regado à entusiasmos, otimismos e vídeos da homilia do Padre Beto - aliás um grande visionário, perdido na caretice da Igreja Católica - o começa deste 22 de setembro foi uma bosta.
Acordei, mais uma vez, com a roupa da noite (e da tarde) de ontem no mesmo sofá onde eu tinha jantado e tentado assistir aquele joguinho medíocre e sem gols entre São Paulo e Corínthians.
Alíás, sobre mediocridade do Corinthians, hoje o Juca Kfouri mostrou que responsabilidade é desapegar dessa bichice de querer "dar o furo" da venda do Neymar, para isto, exemplificando com muita técnica e humildade, quando ele se fodeu na Placar, "tirando" o Dr Sócrates do Curíntia. E, o mais legal foi ver que um texto de blog do Neymar, na verdade página oficial feita pra ser curtida no Facebook, desceu a letra sobre o valor da felicidade. Com uma foto do camisa 11 da seleção ainda muito magrelinha, cabeçudo, feibagarai, mas, mostrando todos os dentes: uma bola na mão em primeiro plano, no fundo, a serra do mar em Santos.
Voltando ao pijama de gala, que eu abarrotei no sofá, vale dizer que, enquanto ele ainda estava mais ou menos alinhado, teve um evento na UGT (ou Memorial da Classe Operária) aqui em Ribeirão, que me tocou profundamente: a semana Gramsciana.
Eis que, durante uma "roda viva" com convidados do Coletivo Fora do Eixo, um rapaz, no alto de seus vinte e tantos anos discursava para aproximadamente 40 pessoas, muitos já de idade avançada e direcionamento político comunista incondicional. Como era de se esperar, após muitas gírias, em inglês e mesmo termos de economia solidária ou da internet e suas interfaces de compartilhamento, menos de vinte espectadores ficaram para o encerramento da conversa.
Quando tudo terminou, até então, os sentimentos não eram tão diferentes de vergonha alheia e um pouco de raiva. Mas, aquele prédio histórico, fundado em 1926 com fotografias de anarco-sindicalistas da época, brancos, pretos e pardos, mulheres elegante de vestidos chiques, homens de terno, tudo aquilo me fez pensar na seriedade da luta operária e me deixou um pouco mais calmo e tolerante em relação ao pessoal que fora esculachado pelo José Arbex Jr na última Caros Amigos.
Beijo pra Lu, que me deu dois livros.