Esse post é dedicado a todos que têm fé (e costumam se dar mal por isso) na frase "quem espera sempre alcança.
(Era uma vez, um Hermezinho que gostava muito de cachorrões...)
Eu voltava do trabalho, ou da empresa onde exercia atividade remunerada, pois estava de licença médica.
Um mendigo, na rua de casa, ele me cumprimentou baixando a cabeça:
- Bão?
- Bão.
e indagou:
- Cê mora aqui perto?
- Moro aqui perto sim, por que?
- Porque eu ia te pedir pra me arrumar alguma coisa pra comer.
Então ficou combinado que ele esperaria, sentado junto a um poste que tem em frente a um terreno baldio, enquanto eu prepararia seu jantar.
O nome dele era Abel, logo, tive de zuar com o destino fatal de seu xará bíblico.
Talvez não fora boa ideia.
Sei lá.
Foda-se.
Imagine que eu cheguei em casa e já me pus a cozinhar, freneticamente, como quem prevê o evangelho de (São) Matheus (24, 42-44)
Então, eu descongelei um salmão e preparei, em menos de dez minutos, um rango muito da hora pro Abel.
Entreguei na bandejinha de isopor, com guardanapos e atendi ao pedido de água que se procedeu, logicamente, como tinha de ter sido.
Assim como Caim, matei o Abel. (tu-dum-tchi)
Mas ela - uma possível Eva - estava ali.
Jogada na rua.
Uma Pitbull linda, com traços de vira-lata, cor de caramelo, suja de pó.
Em Ribeirão Preto o ar é filhadaputamente seco e empoeirado no inverno...
Era tanta poeira que minha mão enegrou-se ao carinhá-la.
Não foi fácil fazer isso.
Apesar de corpulenta e Pitbull, "minh"a cadela é mais medrosa que o Scooby Doo.
Até pra dar comida ela teve medo de mim.
Mas, enfim, foi vencida pelo instinto mais primitivo.
Então, a estas alturas, eu já fantasiava a casinha de madeira que construiria no terreno baldio e ladrões que se mijassem de medo ao pensar em assaltar minha casa...
De volta ao mundo real, um vizinho e sua esposa passavam pelo outro lado da calçada:
- E aí, beleza?!
- De quem que é essa cachorra?
- Dizem que é da Ramazini. "Dizem" - (com aquela ênfase de desconfiar da fonte fornecedora do fato).
Para mim, foi suficiente.
O drama estaria resolvido para a adoção de um sonho: uma ida à garagem de ônibus de Turismo (Ramazini); uma conversa desencarregadora de consciência; uma pitbull fêmea, linda dócil, fofíssima e imponente.
Simples equação.
A esta altura, já tinha aberto e fechado mil vezes portão e porta de casa entre atender o Abel e a cachorra.
Mas, a derradeira foi a em que saí com uma tesourona de costura e uma camiseta antiga. Usei o pano das mangas para fazer algo como uma coleira.
Não foi tão difícil.
Nem fácil.
Cachorro não costuma gostar de roupa e acessórios. Principalmente pitbulls.
Tinha um labrador, possível ferte dela: o Fritz, com sua cor de creme, na casa em frente onde eu finalizei o laço (ridículo) em torno do pescoço da Pequena. Eu ia batizá-la de Pequena.
Adoro ironias.
Daí, o destino, senhor das ironias me fez correr, não andar, sim, correr, até às garagens da Ramazini Turismo.
A Pequena me acompanhou na corrida, exuberando sua musculatura pitbulesca.
Local adentrado, um tal de Antônio confirmou que a Pitbull saía mesmo - e muito - pelas ruas.
Deu pra ver, pela felicidade de todos outros cães (de médio porte, também meio marrons e vira latas, talvez um salsicha...), que lhe cheiravam o traseiro quando voltava de uma possível longa jornada aos quarteirões arredores.
- É que o portão fica aberto e ela sempre sai, mesmo. - Disse o Antônio.
Piada da noite: - Por que é que o cachorro atravessa a rua?
- Para chegar ao outro lado.
E dá-lhe abadá de inverno!
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