domingo, junho 13, 2010

Falta de Tempo, Pêndulo Humano e Tagarelas do Twitter

Tô supertriste.
E talvez, o motivo de tanta tristeza seja de reprimir o que me causa mal.
Eu culpo o tempo.
O tempo fecha a gente nos espaços, impedindo que nos encontremos mais, nos vejamos mais, nos falemos com mais frequência.
Frequência é outra coisa importante que o tempo delimita. O que poderia ser uma conversa gostosa, aprazível, vira, de repente um: e aí? Tudo bem?
São raras pessoas que nos fazem querer passar quase todo o tempo junto. Acordar, dar bom dia, comer, conversar, trabalhar, fazer qualquer coisa divertida e dormir. Pelo menos uma ou umas dessas. E não, não estou falando de casamento.
E, então, pela delimitação da frequência, nós, pessoas, nos comportamos como verdadeiros pêndulos em movimentos harmônicos. Somos aquele negócio que fica balançando dentro do relógio de parede chique, que era do avô de não sei quem.
É aquele vai-e-vem eterno, sempre no mesmo eixo, mudando de lá pra cá, daqui pra lá ("ai que dança louca"[já é sen-sa-ção])...
A experiência é a única coisa que muda. Mas as outras pessoas também vivem seus dilemas pendulares e isso restringe essa experiência a "oi! E aí?! Tudo bem?"
A gente encontra alguém num ônibus: já sabe que, uma hora, a conversa vai acabar. Talvez em pontos diferentes, talvez no mesmo terminal. Mas vai acabar... melhor não arriscar falar de relacionamento, vamos ficar com a previsão (?) do tempo ou a rodada do campeonato, se a novela tiver acabado de estrear.
Já encontrou um conhecido na missa? Não é um bom lugar pra se conversar... sem falar que domingo é sagrado passar com a família, mesmo quando há namoradas muito ciumentas para dividir o dia com mães, ou caras que gostam muito mais de uma lata cerveja do bar que de macarronada para doze.
A casa dos outros, não demora, fica inconveniente, ou pelo horário, ou pelo tanto de vezes em que se vai lá. A rua não é segura. O barzinho é muito caro. Aquele shopping é uma merda ("aquele shopping é uma merda!")...
Talvez, bom seja TV.
Talvez, não.
Com este post vou compreender melhor os tagarelas do Twitter, em suas implacáveis buscas por companhia. Virtual, mas companhia. Afinal, eu me sentia triste por não ter tempo suficiente pra fazer o que gosto e já me sinto melhor, mais aliviado.
Sinceramente, eu fico muito, mas muito feliz - de verdade - quando recebo comentários de blog. Porém, troco fácil todas as temporadas de Lost (que, aliás, não vi nenhuma), Big Bang Theory, ou qualquer vídeo do You Tube vistos no computador pela "galera" por uma cerveja naquele barzinho caro do shopping de merda junto com a pessoa que encontrei na missa, já que a gente sempre está um na casa do outro. No sofá ou na rua, escorado na portão.

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